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Marcos históricos de Apucarana podem ser reconhecidos em lei

Cindy Santos

| Edição de 26 de janeiro de 2026 | Atualizado em 26 de janeiro de 2026

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O vereador Lucas Leugi (PSD) protocolou nesta segunda-feira (26), na Câmara Municipal de Apucarana, quatro projetos de lei que visam reconhecer marcos arquitetônicos da cidade como Patrimônio Cultural Material e Imaterial. As propostas abrangem o Complexo da Estação Ferroviária, a Praça 28 de Janeiro, o monumento a Nossa Senhora de Lourdes e o muro com letreiro da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) na Avenida Governador Roberto da Silveira. As propostas devem seguir para votação assim que os trabalhos legislativos forem retomados.

De acordo com o parlamentar, a iniciativa foi motivada por um levantamento prévio e pela repercussão de uma série de vídeos do TNOnline que usa inteligência artificial para animar fotografias antigas e contar um pouco da história local. Caso as leis sejam aprovadas e sancionadas, intervenções futuras nesses locais deverão respeitar critérios técnicos de preservação, com o objetivo de proteger a memória urbana. “Sendo aprovada na Câmara e o prefeito sancionando, poderá restaurar e pintar, mas a estrutura não vai poder ser modificada, garantindo a preservação da história”, explica.

Os projetos propostos pelo parlamentar listam itens específicos para preservação. No Complexo Ferroviário, onde o primeiro ramal chegou em 1943, o texto inclui a estrutura das edificações, plataformas, bebedouro de cavalos, a escadaria, o letreiro “Apucarana”, vasos ornamentais, luminárias históricas da marca Lampe e demais elementos arquitetônicos. Na Praça 28 de Janeiro, o foco recai sobre a Concha Acústica, o chafariz, o bebedouro em formato de leão, figuras em alto relevo, Biblioteca Municipal, entre outros elementos paisagísticos.

Muitas dessas obras levam a assinatura do artista Ângelo Franco Perez, que chegou a Apucarana em 1956. Ele é o autor das figuras em alto-relevo na fachada da Biblioteca Municipal, e do globo terrestre, do monumento a Nossa Senhora de Lourdes e do bebedouro dos cavalos, datados de 1958, na Estação Ferroviária.

Outro projeto protocolado pelo vereador foca no muro e letreiro da antiga Empresa Hidro Elétrica do Vale do Ivaí, atual sede da Copel na Barra Funda. O local abrigou a primeira usina termoelétrica do município, inaugurada em 1949. Leugi afirmou que o objetivo principal é evitar a perda da memória física do município. “Resolvi propor alguns projetos porque daqui a pouco vamos precisar de IA para contar tudo, não vamos ter história viva mais para contar para nossos filhos e netos”, justificou.

Sobre possíveis críticas, o parlamentar ressaltou seu histórico de atuação. “Eu sei que vai ter gente para criticar, mas eu não estou preocupado com crítica. Sou o vereador que mais faz projeto de lei nessa câmara, em todos os sentidos, e não posso deixar de assegurar o patrimônio histório de Apucarana”, declarou. O vereador também sinalizou a intenção de dialogar com o setor privado para futuras propostas envolvendo prédios como a agência do Sicoob (projeto de 1967) e a igreja de madeira do Barreiro (1969).