Mais de 4 mil pessoas foram afetadas pelo forte temporal que atingiu Apucarana na noite de anteontem. O levantamento preliminar da Defesa Civil aponta que a tempestade, marcada por ventos de até 125 km/h, castigou cerca de 20 bairros, deixando um saldo parcial de aproximadamente mil residências comprometidas e a queda de 500 árvores e postes. Semáforos da área central e da Avenida Minas Gerais também foram danificados. Até o fechamento desta edição, os prejuízos ainda continuavam sendo contabilizados.
Diante do cenário de destruição, milhares de moradores buscaram auxílio no Pátio de Máquinas da prefeitura, onde ocorreu a distribuição de lonas e telhas. A Defesa Civil do Estado encaminhou mais de 3 mil telhas e 100 bobinas de lona, esforço que também contou com doações de prefeituras vizinhas. O Corpo de Bombeiros também retomou a distribuição e, segundo a prefeitura, mais de 2 mil pessoas haviam recebido lonas até o fim da tarde de ontem.
Apesar dos estragos, o prefeito Rodolfo Mota destacou o alívio pela ausência de feridos. Segundo ele, moradores antigos relataram nunca terem visto algo parecido na cidade. “A boa notícia, no meio de tudo isso, é que não temos nenhuma vítima hospitalizada e nenhuma vida perdida”, afirmou. O prefeito também fez um apelo para que a população não atingida economize água, evitando o colapso do abastecimento até que a Sanepar reative todos os poços do município, e garantiu que a cidade sairá do episódio mais unida.
Na parte logística do socorro, a prefeitura estabeleceu a liberação inicial de 20 metros quadrados de telha por residência mediante um cadastro simples, que pode ser preenchido na Secretaria de Serviços Públicos ou nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) dos bairros. Segundo o secretário municipal Wendel Meta, famílias com prejuízos maiores passarão por triagem e precisarão apresentar laudo da Defesa Civil para cotas excedentes. A orientação é que os próprios moradores retirem os materiais para desafogar a entrega em domicílio, restrita apenas a quem não possui transporte. “Vamos atender todo mundo. Mas é um fluxo grande. Queremos fazer isso da maneira mais rápida possível”, destacou Meta.
O grande volume de procura gerou filas extensas, motivando o pedido para que a população descentralize a busca indo aos CRAS. A força-tarefa montada na cidade une o Exército Brasileiro, Guarda Municipal, agentes de trânsito, Defesa Civil e guardas de municípios da região para prestar apoio logístico e garantir a segurança.