O cerco se fecha contra Luiz Inácio Lula da Silva. O procurador-geral da República Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito contra o ex-presidente por suspeita de obstrução na Operação Lava Jato. Pelo mesmo motivo, Janot pediu ao STF investigação contra a presidente Dilma Rousseff e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.
Lula está ameaçado. O procurador-geral da república escreveu: “Pelo panorama dos elementos probatórios colhidos até aqui e descritos ao longo dessa manifestação, essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”.
Em outras palavras, Janot acusa o ex-presidente de ser o “chefe da quadrilha” que desviou milhões e milhões de reais dos cofres públicos, principalmente a partir da cobrança de propina na Petrobras.
Lula é acusado formalmente de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, evitando que as denúncias fossem apresentadas ao Judiciário.
Essas acusações de Janot são gravíssimas e apontam o envolvimento do ex-presidente no esquema. Lula,agora, não poderá mais afirmar que era vítima de perseguição pessoal do juiz Sérgio Moro.
A acusação contra Lula e Dilma ocorre em meio às discussões do impeachment da petista no Senado Federal. É mais um ingrediente para os debates no plenário a uma semana da provável votação do impeachment.
Não há dúvida alguma de que o Senado aceitará a recomendação de julgar Dilma e, assim, afastará a presidente do cargo por 180 dias. O vice Michel Temer assumirá o cargo e deve promover mudanças drásticas na equipe do governo e também na política econômica.
A “dinastia Lula”, que seguiu durante o mandato de Dilma, chega ao fim. As denúncias contra o ex-presidente apontam para um esquema estruturado de desvios de recursos públicos no governo. O ex-presidente terá muitas dificuldades para provar a sua inocência na Justiça. As provas são muitas e o desgaste político é praticamente insuperável. A votação do impeachment de Dilma na semana que vem marca o encerramento de uma era e espera-se de um recomeço de outra que respeite os reais desejos da população.