OPINIÃO

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Lula emparedado por sucessivas denúncias

Tribuna do Norte

| Edição de 05 de maio de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O cerco se fecha contra Luiz Inácio Lula da Silva. O procurador-geral da República Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito contra o ex-presidente por suspeita de obstrução na Operação Lava Jato. Pelo mesmo motivo, Janot pediu ao STF investigação contra a presidente Dilma Rousseff e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Lula está ameaçado. O procurador-geral da república escreveu: “Pelo panorama dos elementos probatórios colhidos até aqui e descritos ao longo dessa manifestação, essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”.

Em outras palavras, Janot acusa o ex-presidente de ser o “chefe da quadrilha” que desviou milhões e milhões de reais dos cofres públicos, principalmente a partir da cobrança de propina na Petrobras.

Lula é acusado formalmente de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, evitando que as denúncias fossem apresentadas ao Judiciário.

Essas acusações de Janot são gravíssimas e apontam o envolvimento do ex-presidente no esquema. Lula,agora, não poderá mais afirmar que era vítima de perseguição pessoal do juiz Sérgio Moro.

A acusação contra Lula e Dilma ocorre em meio às discussões do impeachment da petista no Senado Federal. É mais um ingrediente para os debates no plenário a uma semana da provável votação do impeachment.

Não há dúvida alguma de que o Senado aceitará a recomendação de julgar Dilma e, assim, afastará a presidente do cargo por 180 dias. O vice Michel Temer assumirá o cargo e deve promover mudanças drásticas na equipe do governo e também na política econômica.

A “dinastia Lula”, que seguiu durante o mandato de Dilma, chega ao fim. As denúncias contra o ex-presidente apontam para um esquema estruturado de desvios de recursos públicos no governo. O ex-presidente terá muitas dificuldades para provar a sua inocência na Justiça. As provas são muitas e o desgaste político é praticamente insuperável. A votação do impeachment de Dilma na semana que vem marca o encerramento de uma era e espera-se de um recomeço de outra que respeite os reais desejos da população.