POLÍTICA

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Dilma não consegue apoio no Senado nem de ex-ministros de seu governo

Folhapress

| Edição de 28 de agosto de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) tentará nesta segunda-feira sua última cartada para manter o mandato que conquistou nas eleições de 2014. Amanhã, ela apresentará pessoalmente sua defesa no julgamento de impeachment em curso no Senado. Além de aliados e inimigos declarados, Dilma encontrará, agora como juízes, nove senadores que foram seus auxiliares e comandavam ministérios nos quatro anos do primeiro mandato e nos 17 meses na segunda gestão, interrompida com seu afastamento para responder a processo por crime de responsabilidade fiscal.

Imagem ilustrativa da imagem  Dilma não consegue apoio no Senado nem de ex-ministros de seu governo

Dilma não encontrará um clima amistoso entre seus antigos auxiliares. Dos nove ex-ministros da petista, só três – Gleisi Hoffmann (PT-PR), Armando Monteiro Neto (PTB-PE) e Kátia Abreu (PMDB-TO) – votarão contra o impeachment e a favor do retorno dela ao Palácio do Planalto. Kátia e Armando, aliás, ainda são formalmente ministros afastados do governo e podem voltar ao ministério caso o impedimento definitivo seja rejeitado.

Na primeira votação do plenário do Senado que transformou Dilma em ré, no último dia 10, seus ministros já votaram pela cassação da ex-chefe. Edison Lobão, Marta Suplicy e Garibaldi Alves, do PMDB, Fernando Bezerra Coelho, do PSB, e Eduardo Lopes, do PRB, já avisaram que vão votar novamente contra a ex-chefe. Eduardo Braga estava ausente e justificou não ter votado com um atestado médico. Por algum tempo ele escondeu o voto. Mas nos últimos dias assumiu ser a favor do impeachment.

Esse grupo não se sente corresponsável pelo governo que ajudou a administrar e, inclusive, executar o Orçamento, principal razão para o pedido de impeachment. Em nenhum momento desde que a Câmara admitiu a abertura do processo de impeachment e depois do seu afastamento Dilma recebeu o apoio claro deste grupo de ex-ministros. Quando não se decidiram logo pelo impeachment, declaravam que estavam em dúvida ou analisando a situação. Quando a situação política foi se delineando, alguns ministros encontraram uma justificativa para aderir ao pedido de afastamento definitivo da ex-chefe.

O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) foi ministro da Previdência de Dilma e desde que o processo chegou ao Senado vota pelo afastamento definitivo da petista. Ele garante que não está magoado com o tratamento de poucos amigos que recebeu recebeu de Dilma. Ela nunca o recebeu no Palácio do Planalto para discutir assuntos de uma pasta tão importante. Dilma delegou a atribuição à então ministra chefe da Casa Civil, a também senadora Gleisi Hoffmann (PT). Quando Garibaldi resolveu deixar o cargo, Dilma deu apenas um telefonema para se despedir do auxiliar e não falou pessoalmente com o parlamentar.

“Não me sinto constrangido em votar pelo impeachment porque fui indicado pelo partido”, explica Garibaldi.

Em maio, a senadora Kátia Abreu, que foi ministra da Agricultura de Dilma, reagiu contra os ex-colegas que apoiaram o impeachment da petista, chamando-os de “hipócritas”. ”Oportunismo é abominável. Amigos ontem e inimigos hoje”, escreveu Kátia. “Esta mulher não é desonesta e não cometeu crime de responsabilidade. Falta de popularidade se cura nas urnas”, acrescentou.

Processo entrou no terceiro dia ontem

Após ouvir cinco depoimentos, o julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) entrou ontem no seu terceiro dia com os depoimentos do ex-ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e do professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Lodi Ribeiro, que são testemunhas de defesa.

A sessão, comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, teve início por volta das 10 horas da manhã.

Anteontem, foram ouvidos o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o professor de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Geraldo Luiz Mascarenhas Prado e o ex-secretário-executivo do Ministério da Educação Luiz Cláudio Costa. Antes, na quinta-feira, foram colhidos os depoimentos do procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira e o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Antônio Carlos Costa D’Ávila Carvalho. Amanhã será a vez de Dilma fazer de sua defesa. (AGÊNCIA BRASIL)