A confiança do setor empresarial no Brasil nunca esteve tão alta desde 2014. É o que aponta o Índice de Confiança de Serviços, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que avançou 1,3 ponto de novembro para dezembro deste ano. Na região, representantes dos setores produtivos corroboram esta situação e acreditam que 2019 deverá ser o ‘ano da virada’, após anos de desaquecimento econômico.
Com a alta registrada em dezembro, o indicador da FGV atingiu 94,7 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos, o maior patamar desde abril de 2014, quando registrou 95,9 pontos. A alta da confiança atingiu dez dos 13 setores avaliados pela pesquisa. O Índice de Expectativas, que mede a confiança dos empresários no futuro, avançou 2 pontos, para 101,4 pontos, voltando para um patamar superior a 100 pontos depois de mais de cinco anos.
Já o Índice da Situação Atual, que mede a confiança no momento presente, subiu 0,5 ponto, para 88,2 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de serviços subiu 0,3 ponto percentual para 82,3%.
Na região, o clima também é de otimismo entre os empresários. Presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz acredita que 2019 guarda boas perspectivas para o setor. “A economia já veio em um processo de melhora ao longo de 2018, ainda que lentamente. O terreno foi preparado para que 2019 seja o ano da virada. Estamos confiantes”.
Segundo ele, a estimativa é de que haja um crescimento em torno de 7% para o setor neste ano que está prestes a iniciar. “Este aumento na produção e, consequentemente, nos negócios como um todo, deve ser impulsionado pelas medidas dos novos governos Federal e Estadual. Acreditamos que as propostas, em sua maioria, são boas e que impactarão positivamente na economia, reaquecendo a economia e gerando novos empregos”, diz.
Aída Assunção, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Apucarana (Sivana) também se mostra otimista. “As propostas dos novos governantes, se forem concretizadas, serão ótimas para a economia. Sobretudo a proposta paranaense de redução de carga tributária, que aumentará a nossa competitividade. As perspectivas para 2019 são muito positivas economicamente”, ressalta. Neste ano, o comércio recuperou saldo positivo de vagas - segundo dados compilados até novembro, quebrando um ciclo de extinção de cargos.
Entretanto, ela reconhece que, apesar do otimismo, o caminho a ser percorrido ainda trará alguns percalços. “Nada muda do dia para a noite. O processo de recuperação econômica do país é longo e difícil, ainda mais depois de um período tão ruim vivido pelo Brasil desde 2014. Mas há a confiança de que deixaremos este tempo para trás e de que 2019 será um ano muito importante neste avanço”.
Wanderley Faganello é vice-presidente para assuntos da Indústria da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia). Segundo ele, o próximo ano é uma grande oportunidade para o país, para o estado e também para a região. “A base econômica de boa parte do país, o que inclui a nossa região, é a agricultura. E as perspectivas do setor são excelentes, o que provoca um efeito dominó, afetando positivamente os outros setores. Com isso, 2019 inicia prometendo uma retomada importante, com geração de empregos e crescimento econômico que pode ficar entre 5% e 8%, um patamar ideal”.
Economista aponta os principais desafios econômicos para o próximo ano
O economista do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, afirma que o país está terminando o ano de 2018 numa situação bem melhor do que iniciou, fazendo com que as estimativas para 2019 sejam boas. “A economia está retomando o crescimento com uma expectativa de crescimento médio de 2,5% ao ano para os próximos quatro anos. O maior desafio para os novos governantes e para os gestores que permanecem, inclusive os municipais, é o equilíbrio das contas públicas. Este é um ponto nevrálgico que pode afetar o financiamento das políticas públicas, uma vez que a maior parte delas dependem de recursos públicos para a sua implementação”.
Segundo ele, além de buscar cumprir a meta fiscal para 2019, que é de um déficit de R$ 139 bilhões, o governo federal ainda terá que enfrentar as “bombas” fiscais que os legislativos e o Judiciário aprovaram para 2019. “O aumento de gastos em algumas áreas, o reajuste dos salários dos Ministros do STF que lançam efeito em cadeia nas remunerações de diversas categorias e a manutenção do reajuste do funcionalismo federal devem dificultar a situação da União”.
Ele aponta ainda outros desafios para 2019: solucionar o caso do subsídio ao diesel para evitar manifestações dos caminhoneiros; cumprir a Emenda Constitucional do ‘teto de gastos’ após déficit fiscal, crescimento da dívida e aprovação das “bombas” fiscais; e resolver a Reforma da Previdência.
No caso do Paraná o governador eleito Ratinho Júnior (PSC) assume o estado em boas condições financeiras, segundo Ribeiro. “A equipe de Ratinho Júnior já anunciou que deverá ocorrer à revisão de alguns contratos realizados nos últimos meses pelo atual governo. Estes contratos deverão onerar a máquina pública estadual mas, se realmente forem revistos, não afetarão as contas públicas”, diz.